2010-06-14

INIMIGO PÚBLICO - Milhares de portugueses decidem que como amanhã é, tipo, feriado, hoje vão fazer, tipo, ponte

Demasiado cómico, mas infelizmente demasiado perto da realidade...

INIMIGO PÚBLICO - Milhares de portugueses decidem que como amanhã é, tipo, feriado, hoje vão fazer, tipo, ponte

Ao que o IP apurou, praticamente nenhum português foi trabalhar hoje, pois consideram que, como amanhã vão faltar ao trabalho para verem o jogo da Selecção Nacional, embebedarem-se e soprarem a vuvuzela todo o dia, têm “o direito adquirido” de “saltar o dia de hoje”. “Acho que isso até está na Constituição”, explicou um funcionário público de 28 anos. “Só é pena que o Benfica não jogue sempre à terça-feira ou à quinta-feira. Assim nem precisava de pedir a reforma antecipada, como vou fazer este ano”, concluiu. VE

Algo de muito errado se passa com a nossa sociedade

Quando aquilo que se discute é que se tem que manter os telemóveis, os canais por cabo e os 2 automóveis, quando se corta na alimentação e saúde, algo de muito estranho se passa... muito estranho mesmo...

Crise: Famílias cortam sobretudo no supermercado e na farmácia - Sociedade - PUBLICO.PT


Alimentação e medicamentos são os principais alvos de corte nos gastos das famílias portuguesas em crise, que continuam contudo a aguentar bens mais supérfluos, como telemóveis ou televisão por cabo, tentando manter a aparência do mesmo estilo de vida.
É no supermercado que as famílias mais cortam em tempos de criseÉ no supermercado que as famílias mais cortam em tempos de crise (Pedro Elias (arquivo))

A associação de defesa do consumidor Deco foi contactada nos primeiros cinco meses do ano por 5500 famílias em situação de sobreendividamento e refere que o supermercado e a farmácia são os que sofrem mais cortes no orçamento destes lares.

“Na alimentação começam a optar por alimentos de marca branca e deixam de comprar alguns produtos mais caros”, explicou à Lusa a responsável da Deco pelo apoio ao sobreendividamento, Natália Nunes.

Confrontadas com menos dinheiro, as famílias cortam também nos medicamentos, deixando mesmo de adquirir remédios necessários e prescritos pelo médico.

“Nem substituem os medicamentos. Pura e simplesmente deixam de os comprar”, frisa.

Já em serviços de telecomunicações e multimédia, as despesas tendem a manter-se.

“Aparentemente, cortar na alimentação e nos medicamentos é mais fácil para as famílias, que tentam manter a mesma aparência de estilo de vida”, indica Natália Nunes.

Outro exemplo é a “grande resistência” em vender os automóveis: “Há quase sempre a tentativa de manter o mesmo tipo de vida”.

As famílias que recorrem à Deco são geralmente compostas por um casal com um filho, com rendimentos líquidos mensais médios de 1500 euros.

A especialista aconselha as famílias a gerir melhor o dinheiro, assumindo uma postura crítica e activa para gastar menos, por exemplo, através da comparação e renegociação de valores com operadores de telecomunicações e serviços multimédia.

Foi precisamente esta a actitude de Sandra e António. Apesar de estarem longe de uma situação de sobreendividamento, a jornalista de 40 anos e o técnico de biblioteca de 42, renegociaram o contrato de telecomunicações, permitindo-lhes uma poupança mensal de 25 euros.

Com um rendimento bruto conjunto de 2500 euros por mês, esta família com um filho de três anos tem cerca de 2100 euros de despesas fixas.

“Quando houve aumento dos juros das casas cortei em coisas não elementares, como a engomadoria e um dos canais codificados. Apesar da baixa de juros, continuo sem sentir que estamos a recuperar”, comenta Sandra Mendes, referindo que as idas a restaurantes se tornaram uma raridade, bem como os passeios fora de Lisboa.

Para Andreia e Ricardo, poucos são os “extra”, já que cada um recebe menos de 600 euros líquidos, ela como auxiliar de acção educativa e ele como mecânico.

“Já cortámos na televisão por cabo e este ano nem vamos de férias, nem sequer para o campismo, como temos ido nos últimos tempos. Temos renda da casa para pagar e também a creche da nossa filha. O dinheiro não chega para tudo”, diz Andreia.

No entanto, reconhece, não conseguem imaginar-se sem carro e continuam a sustentar os dois automóveis.

“Pensámos na hipótese de vender um, não pelo dinheiro que rendia, mas porque se gasta muito em combustível e em seguros. Mas trabalhamos em sítios distantes e para cumprirmos horários precisamos mesmo do carro”, justifica.

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