2009-11-23

Quentes e boas!

Sempre que saio do metro do Campo Grande ao fim do dia nesta altura do ano sou invadida pelo cheiro a castanhas assadas e são poucas as vezes que me consigo conter.
Sou fã dos vendedores de castanhas assadas e só tenho pena que já não venham enroladas em folhas das páginas amarelas.
Estas foram as primeiras deste ano:

2009-11-19

Este Natal ajude a APAMCM

Este Natal ajude a APAMCM – Associação Portuguesa de Apoio às Mulheres com Cancro da Mama.


Entrega uma BIJUTERIA que já não uses, nas joalharias aderentes, até 12 de Dezembro (ver lista em http://www.omoura.pt/)
Estas peças serão recolhidas pela APAMCM, que as doará a mulheres que estejam a ser apoiadas pela Associação, aumentando assim a auto-estima de quem passa por momentos difíceis. AJUDA-AS!

2009-11-16

Será deformação profissional?

Hoje quando vi os outdoors da nova campanha do BES ao crédito pessoal apenas conseguia ver os anéis de crescimento de uma árvore, mas em verde. Conclusão, não percebia o que eles queriam transmitir com a campanha.
Só à pouco quando voltava para casa percebi que a campanha se chamava 'Luz Verde' e então percebi que os anéis que via eram de um semáforo e não de uma árvore...

Uma ode ao pecado da gula

Por sugestão de um blog 'amigo' fui espreitar o site 'Flagrante Delícia - As sobremesas de Leonor de Sousa Bastos'.

A verdade é que o aconselho vivamente, mas apenas se não tiverem problemas com a vossa gula, pois como diz na nota que saiu no 'The NewYork Times' estamos perante um cao de erotismo gastronómico: as receitas são deliciosas e as fotos fabulosas. Não sei como o descrever melhor, apenas vos digo: vão lá espreitar.

2009-11-10

Dentes-de-leão em Novembro

Fazia o caminho em direcção a casa
Ia entretida com os meus pensamentos
Eis que 'tropeço' em dois perfeitos dentes-de-leão
Eis que sinto um rasgo de primavera neste dia outonal
Eis que sinto um pouco do campo nesta cidade que adoro
Eis que fico preocupada, pois não é a altura de estarem a florir


2009-11-09

Ser Real quer Dizer não Estar Dentro de Mim

Seja o que for que esteja no centro do Mundo,

Deu-me o mundo exterior por exemplo de Realidade,
E quando digo "isto é real", mesmo de um sentimento,
Vejo-o sem querer em um espaço qualquer exterior,
Vejo-o com uma visão qualquer fora e alheio a mim.

Ser real quer dizer não estar dentro de mim.
Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.
Sei que o mundo existe, mas não sei se existo.
Estou mais certo da existência da minha casa branca
Do que da existência interior do dono da casa branca.
Creio mais no meu corpo do que na minha alma,
Porque o meu corpo apresenta-se no meio da realidade.
Podendo ser visto por outros,
Podendo tocar em outros,
Podendo sentar-se e estar de pé,
Mas a minha alma só pode ser definida por termos de fora.
Existe para mim — nos momentos em que julgo que efetivamente existe —

Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo

Se a alma é mais real
Que o mundo exterior como tu, filósofos, dizes,
Para que é que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade"

Se é mais certo eu sentir
Do que existir a cousa que sinto —
Para que sinto
E para que surge essa cousa independentemente de mim
Sem precisar de mim para existir,
E eu sempre ligado a mim-próprio, sempre pessoal e intransmissível?
Para que me movo com os outros
Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos
Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo?
Se o Mundo é um erro, é um erro de toda a gente.
E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas.
Cousa por cousa, o Mundo é mais certo.

Mas por que me interrogo, senão porque estou doente?
Nos dias certos; nos dias exteriores da minha vida,
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não é perto ou longe de mim.
Mas) tão sublimemente não-meu.

Quando digo "é evidente", quero acaso dizer "só eu é que o vejo"?
Quando digo "é verdade", quero acaso dizer "é minha opinião"?
Quando digo "ali está", quero acaso dizer "não está ali"?
E se isto é assim na vida, por que será diferente na filosofia?
Vivemos antes de filosofar, existimos antes de o sabermos,
E o primeiro fato merece ao menos a precedência e o culto.

Sim, antes de sermos interior somos exterior.
Por isso somos exterior essencialmente.

Dizes, filósofo doente, filósofo enfim, que isto é materialismo.
Mas isto como pode ser materialismo, se materialismo é uma ilosofia,
Se uma filosofia seria, pelo menos sendo minha, uma filosofia minha,
E isto nem sequer é meu, nem sequer sou eu?

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

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